No tempo dos meus pais…
Published agosto 11th, 2008 in quadrinhos
O site americano Newsarama liberou uma prévia de um dos tie-ins da série Final Crisis, da DC comics. Trata-se de Final Crisis: Revelations, com argumento de Greg Rucka e arte de Philip Tan e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o Doutor Luz, antigo vilão dos Titãs, preparando-se para estuprar três garotas que aparentam ser menores de idade e recebendo uma boa punição do novo Espectro.
Não é uma caracterização nova para o vilão, embora seja um passo a mais no seu caminho de atrocidades. Na série Crise de Identidade, foi revelado que o Dr. Luz, que sempre foi considerado um vilão de quinta categoria, estuprou Sue Dibny, a esposa do Homem-Elástico, da Liga da Justiça, o que alçou o personagem ao hall dos vilões de primeira categoria e serviu para refletir sobre os novos rumos dos antagonistas dos super-heróis nos quadrinhos.
No tempo dos nossos pais, vilão tinha que ser um cientista louco e megalomaníaco com planos de dominação mundial e que, por qualquer idiotice que eu nunca conseguirei entender, insistiam em contar seu plano genial para o herói enquanto este ganhava tempo para libertar-se e impedir o tal plano maligno e completamente estúpido. Vilões como o Coringa, um assassino psicopata, eram poucos, e mesmo assim acabavam caindo no caricaturismo.
O tempo passou, a sociedade perdeu sua ingenuidade e eram necessários vilões que realmente se impusessem. Eles seriam homicidas? Não bastava. Heróis como Wolverine e Justiceiro matavam sem dó e eram adorados. Até mesmo o Superman executou três bandidos. Era necessário mais.
É aí que entra o degenerado Doutor Luz, ou o experimento social do Coringa em The Dark Knight. Se quadrinhos são uma forma de entretenimento, de fuga da realidade para um bem merecido descanso, por que não servir também como catarse para os problemas do cotidiano, que nos chegam através dos jornais? Se assassinos seriais, estupradores, genocidas, corruptos e outros mais são repulsivos, por que não encarná-los nos vilões que irão levar uma bela surra nas páginas dos quadrinhos?
O problema é quando se ultrapassa a linha entre crítica social e exibição pura e simples de violência, cada vez mais brutal e cada vez mais banal.

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